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Exposição inédita celebra 150 anos de Torres García no CCBB-SP

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    Redação
  • há 3 dias
  • 2 min de leitura

Mostra gratuita reúne 500 obras e revela o pensamento do mestre uruguaio

Foto em preto e branco de Joaquín Torres García, ao lado de peças geométricas
Joaquín Torres García, (1874-1949). Crédito: ©Museo Torres García

Inédita no Brasil, a exposição Joaquín Torres García – 150 anos segue em cartaz no CCBB São Paulo até 9 de março (09/03) e se firma como um dos grandes destaques da programação cultural de férias. A mostra reúne cerca de 500 itens, entre pinturas, desenhos, manuscritos, maquetes e documentos, celebrando a trajetória de Joaquín Torres García, um dos principais nomes da arte moderna latino-americana.

Um artista que pensou o mundo a partir do sul

Com curadoria de Saulo di Tarso, em colaboração com o Museo Torres García, a exposição apresenta um conjunto amplo e diverso, muitas vezes visto pela primeira vez fora do Uruguai. Parte das obras deixou as reservas técnicas do museu especialmente para a mostra, revelando facetas pouco conhecidas da produção pictórica, gráfica e pedagógica do artista.

O percurso aprofunda o conceito de universalismo construtivo, no qual Torres García defendia uma arte baseada em símbolos universais, mas enraizada na cultura latino-americana. Essa visão atravessa não só suas obras visuais, como também seus textos, projetos educacionais e a experiência do Taller Torres García, que incentivava artistas a criarem a partir de suas próprias referências.

Entre os destaques está a icônica América Invertida, símbolo da ideia de que “o nosso norte é o sul”. Mais do que um gesto político, a obra propõe uma inversão de olhar, colocando a América Latina como centro de produção de pensamento e identidade, tema que dialoga diretamente com debates contemporâneos sobre decolonialidade.

Reprodução da obra América Invertida, 1943. 
Reprodução da obra América Invertida, 1943.  Crédito: ©Museo Torres García

O gesto simbólico de inverter o mapa era uma forma de declarar independência espiritual - de reivindicar a América Latina como produtora de pensamento, criadora ancestral, e não mera extensão do Norte, americano ou europeu. 

A mostra também dá protagonismo aos famosos “juguetes”, brinquedos de madeira criados por Torres García e sua família, que unem arte, design e vida cotidiana. Além disso, manuscritos inéditos, publicações históricas e estudos revelam o artista como um pensador global, interessado em filosofia, educação e no papel social da arte.

Foto da obra Cachorro
Cachorro, 1920. Crédito: Coleção Marta e Paulo Kuczynski

Outro ponto alto é o diálogo com o Brasil. Obras de artistas como Anna Bella Geiger, Rubens Gerchman, Hélio Oiticica, Alfredo Volpi e Cildo Meireles evidenciam como o pensamento de Torres García influenciou gerações e ajudou a moldar caminhos do concretismo e neoconcretismo brasileiros.

Com expografia assinada por Stella Tennenbaum, a exposição propõe uma experiência para ser vivida, e não apenas observada. O percurso convida o visitante a refletir sobre identidade, território e cultura, reforçando a atualidade de um artista que segue provocando o olhar sobre o mundo.


Exposição Joaquín Torres García – 150 anos

Até 9 de março de 2026

De segunda à domingo, das 9h às 20h (fechado às terças)

CCBB São Paulo – Rua Álvares Penteado, 112, Centro

Entrada gratuita

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